A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr: ficção nerd brasileira chega às livrarias.

Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Armados com espadas místicas e coragem divina, Querubins leais a Jeová travaram uma sangrenta batalha contra o arcanjo São Miguel e os anjos que o seguiam.

Tudo começou quando Eduardo Spohr, jornalista carioca amigo dos criadores do site Jovem Nerd, escreveu um livro de ficção.  Ao perceberem o potencial da obra, a dupla Alexandre Ottoni, o Jovem Nerd, e Deive Pazos, o Azaghal, decidiu ajudar a realizar o sonho do amigo. Puseram algumas cópias para vender na nerdstore e divulgaram em seu podcast. Foi o suficiente. Os livros venderam como água e o autor estreante se tornou ídolo entre os leitores do site que não paravam de pedir por mais exemplares. Hoje, com mais de 4 mil cópias vendidas de forma independente, A Batalha do Apocalipse finalmente chega às livrarias de todo Brasil pelo selo Verus da Editora Record.

A história narra como o anjo renegado Ablon caminha entre os homens desde épocas antigas aguardando o momento do Juízo Final. Quando o Apocalipse chega, o renegado precisa decidir de que lado lutará ao ver as forças de Lúcifer prontas para declarar guerra aos céus e colocar fim à humanidade.

Como um bom nerd você já deve ter identificado, só nessas poucas linhas, vários elementos de mitologia, história e religião e talvez tenha se lembrado das suas melhores aventuras de RPG.  São justamente esses os principais fatores que contribuíram para o enorme sucesso do livro na internet, reduto dos nerds.

A Batalha do Apocalipse é resultado de muita pesquisa mas também da experiência em contar boas histórias que o RPG proporcionou ao autor. Inclusive, para aqueles que desejam mergulhar mais a fundo na história, existe um RPG em fase de testes, baseado na obra, e o próprio autor pretende mestrar algumas aventuras.

Porém, agora com o lançamento de A Batalha do Apocalipse em uma editora de grande porte, com tiragem comparável aos livros de Bernard Cornwell, os compromissos de Spohr devem ser muitos. A começar pela noite de autógrafos que acontece nesta sexta-feira na livraria Saraiva do Shopping Rio Sul, no Rio.

É uma ótima oportunidade para adquirir o seu exemplar desta obra única na literatura brasileira e ainda bater um papo com o autor. A julgar pela quantidade de fãs que ABdA (como é chamado pelos leitores) conseguiu reunir em tão pouco tempo o evento promete ser uma grande noite nerd.

Noite de autógrafos de A Batalha do Apocalipse.
30/07. Sexta-feira
Livraria Saraiva.
Shopping Rio Sul. Rua Lauro Muller, 116. Botafogo, Rio de Janeiro
19h. Entrada franca.

Para saber mais:

I kissed a nerd (and I liked).

Dispensa comentários.

Liberado trailer de Lost Boys: The Thirst.

Acaba de cair na rede o trailer de Lost Boys: The Thirst, mais nova sequencia de Garotos Perdidos. Isso mesmo, você não entendeu errado. O clássico dos anos 80 virou uma trilogia (?). Tudo bem que nem eu nem ninguem que eu conheça sequer ouviu falar do segundo filme Lost Boys: The Tribe, mas beleza.

Na trama os irmãos Edgar e Alan Frog, vividos por  Corey Feldman e Jamison Newlander que revivem seus papéis clássicos como os irmãos Frog,  são as duas únicas pessoas que podem impedir um novo grupo de vampiros que tenta espalhar uma droga que transformará as pessoas infectadas em vampiros brilhantes. Não acredita? Confira o trailer: 

 

 

Cartaz do filme original: anos 80 na veia.

Tipo assim, amo o Corey Feldman e tals, mas isso foi beeem vergonha alheia, né não?! Anyway, Lost Boys: The Thirst foi produzido na Africa do Sul (?) e dirigido por Dario Piana (who?).  Dizem as más linguas que o filme sai direto em DVD no fim do ano.

E como recordar é viver, o clássico Garotos Perdidos (Lost Boys, no original) é um filme de 1987 dirigido por Joel Schumacher. Na trama, dois irmãos do Arizona se mudam para a Califórnia e acabam tendo de lutar contra uma gangue de vampiros. Trazia no elenco principal  Jason Patric, Corey Haim e Kiefer Sutherland (ele mesmo! Jack Bauer!). O título é uma referência aos Garotos Perdidos das histórias de Peter Pan.

Ok, humanidade, continuem tentando, mas vocês nunca vão conseguir estragar o verdadeiro e definitivo filme de vampiros adolescentes! 

Abaixo: trailer do filme original dos anos 80.

Lost – O FIM

 Tristeza, alívio, satisfação, frustração, decepção, aceitação. Qualquer que tenha sido a sua reação ao derradeiro episódio da série uma coisa é certa: Lost não foi só uma série. Como minha área de interesse maior são os Estudos de Mídia minha tendencia é sempre enxergar Lost como um evento midiático. Isso pode ter me impedido de enxergar a mensagem maior que a série queria transmitir.

Eu não gostei do final. Minha reação quando acabou foi “Putz, que bosta!”. Mas, calma, isso tem uma explicação bastante lógica e é sobre isso que eu quero falar. Portando, não me odeie. Pela primeira vez eu vou pedir que continue lendo. Se você também não gostou do final talvez isso te ajude a entender o porquê.

Pra começar eu esperava que o último episódio explodisse a minha cabeça, mesmo que a razão e a experiencia com narrativas audiovisuais me dissesse que isso não iria acontecer. Era muito pouco provável que algo realmente surpreendente acontecesse tendo em vista o pouco tempo e as muitas histórias que precisavam de uma resolução. Mesmo assim eu esperava algo mais palpável, mais REAL, se é que vocês me entendem. Mas, como eu falei anteriormente, Lost não é só uma série.

Após assistir ao episódio vim para a internet ver as reações dos fãs. Pessoas que eu respeito e admiro como Eduardo Sales, Maurício Saldanha e Carlos Alexandre Monteiro, haviam se emocionado muito (alguns muito mesmo! hehehe) com o final. A primeira reação que eu tive foi “eu perdi alguma coisa?”. A resposta é SIM, eu perdi uma coisa muito importante, e não é de hoje.

Lost é uma lição de vida. Percebi isso através do olhar das pessoas que eu citei e muitas outras por aí. Só depois de ver como essas pessoas deram sentido àquele final com suas próprias experiências de vida é que a ficha caiu pra mim. Lost é uma série sobre pessoas, pessoas das quais eu me isolei boa parte da minha vida. Nenhum homem é uma ilha e, por mais óbvio que possa parecer, só agora eu realmente percebi isso. Jack já havia verbalizado esta idéia há temporadas atrás e toda a série, no fim das contas, foi sobre isso: Ou vivemos juntos, ou morremos sozinhos.

Ontem conversando com o Carlos Alexandre Monteiro ele me disse que “a grande pergunta é ‘porque estamos aqui?‘” e foi quando eu percebi o que realmente me incomodava. Não foi a “explicação” metafísica em si mas a idéia de que a vida é uma jornada com início, meio e fim e que um dia você vai perceber que pouca coisa realmente importa. Lost não é simplesmente uma série sobre pessoas, mas sobre pessoas solitárias, desorientadas, perdidas, que estavam se apegando às coisas erradas. Elas precisavam entender que a única coisa que realmente podiam ter era uns aos outros. É assim na vida.

- Porque você acha tão difícil acreditar, Jack?

- Por que você acha tão fácil?

- Nunca foi fácil!

Realmente não é fácil. Não está sendo fácil. Invejo todas as pessoas que conseguiram entrar junto com Jack e os outros naquela igreja, ou seja, todos vocês que conseguiram absorver o real sentido disso tudo. Vocês realmente são pessoas evoluídas. Quanto a mim, assim como o Ben, acho que vou ficar por aqui mais um pouco.

Mas uma coisa é certa: por mais que eu demore anos para absorver esse final, e mesmo que esse dia nunca chegue, a jornada valeu muito a pena. A melhor maneira que encontrei de resumir o que foram esses seis anos pra mim são as palavras de Fernando Sabino em O Encontro Marcado: De tudo ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro.”

Lost – Antes do FIM.

“Só tem que terminar uma vez. O que vier antes é progresso.”

É hoje, torcedor brasileiro! O último episódio da série que revolucionou a TV mundial (eu não me canso de dizer isso), o fim de seis anos de expectativa (talvez um pouco menos, para aqueles que chegaram depois, atraídos ou não pelo grande hype em torno da série de 2004 pra cá). Confesso que me envolvi menos com a série do que gostaria. Queria ter tido tempo para acompanhar as discussões nos foruns, por exemplo, além de ter me rendido à série um pouco tarde (lá pela terceira temporada) mas meu coração está apertado. Em pouco tempo criei toda uma rotina em torno da série, aquele ritual bastante conhecido por fãs de Lost em geral ( baixar na noite de terça, ir dormir, baixar legenda na manhã de quarta, assistir) com algums variações.  Não conheci grandes amigos nem um grande amor através da série, como é o caso de muitos fãs, mas criei uma relação afetiva com alguns daqueles personagens, principalmente o Jack. É, eu sei, ele é um bundão e também me irrita muito às vezes. Mas toda a miséria dele e o seu esforço constante em consertar as coisas se parece muito comigo. Acredito que essa seja a grande sacada de Lost: Os personagens são humanos. Poderia ser eu ou você ali, pegando um vôo de Sidney pra Los Angeles e indo parar numa ilha misteriosa com todos os nossos medos e frustrações na bagagem, sendo obrigado a lidar com situações-limite e decisoes difíceis.

E por falar em decisões difíceis, às vezes me pergunto se precisava acabar agora. Quer dizer, está claro que muitas perguntas ficarão sem resposta e mesmo que o último episódio tenha 100 minutos de duração (subtraindo o tempo dos comerciais) com certeza não será suficiente para sanar todas as nossas dúvidas. Porém, é fato que um ponto final é necessário e uma das decisões mais sábias por parte dos produtores foi a de estabelecer um prazo para o término, lá na quarta temporada, quando a série parecia caminhar para um futuro incerto. Isso colocou as coisas nos eixos de novo e devolveu o controle aos autores: agora eles sabiam exatamente de quanto tempo dispunham para fechar o arco narrativo que criaram, mesmo que a greve de roteiristas tenha atrapalhado um pouco.

Com respostas ou não, sendo o final que esperamos ou não, de uma coisa podemos ter certeza: esse não precisa ser o fim. Cabe a nós, aos fãs, mantêr a chama viva. Tenho certeza que mesmo após o episódio final ainda teremos muito o que discutir, especular e teorias para criar. Portanto só nos resta agora aproveitar este finalzinho de viagem. Hoje, dia 23(!) de maio de 2010, é o primeiro dia do resto das nossas vidas. A revolução midiática será televisionada.

See you in another life, brothas! 

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 A ABC exibe hoje, a partir das 20h (horário de Brasília), o episódio de recapitulação Lost- The Final Journey e às 22h o Series Finale, The End. O blog Teorias Lost fornece opções de streaming para assistir ao vivo. A equipe Psicopatas, responsável pela legenda, avisou que o arquivo só deve sair lá para as 4h, 5h da manhã de segunda-feira.
 
No Brasil, o canal por assinatura AXN exibe hoje uma maratona com os últimos episódios de Lost, terminando com What They Died for, o penúltimo episódio, às 20h. Já na terça-feira será exibido o episódio de recapitulação às 20h e o episódio final às 22h.
 Maiores informações em:
http://abc.go.com/
http://br.axn.com/

[Resenha] De Star Wars a Harry Potter: Orquestra Sinfônica Brasileira homenageia John Williams.

“Tan tan tan tan-taram tan-taraaam!” Nem precisa ser um mega fã da saga Star Wars para reconhecer um dos temas mais marcantes (se não o mais marcante!) da história do cinema. Pois esse e outros temas igualmente importantes para a cultura pop, como a música de Indiana Jones, E.T. e Harry Potter, fazem parte do repertório de um dos espetáculos mais comentados da Orquestra Sinfônica Brasileira, apresentado nos dias 21, 22 e 23 de maio no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A música no cinema surge, em um primeiro momento, como um elemento para não ser percebido, uma ferramente a favor da naturalização dos mecanismos de produção do filme, disfarçando cortes e movimentos de câmera.  Gradativamente os temas musicais ganham importancia a ponto de se tornarem um importante elemento da narrativa e, muitas vezes, quase um personagem. A música de John Williams, e vários outros dos seus contemporâneos, definitivamente não é feita para ser coadjuvante; ela atua muitas vezes como uma espécie de narrador, antecipando momentos (como a entrada de Darth Vader em cena, ou alguma peripécia de Indiana Jones) e adicionando simbologia às imagens (como não mergulhar em um mundo de fantasia ao ouvir a trilha de Harry Potter?).

O tributo a John Williams apresentado pela OSB, sob regência de Roberto Minczuk, foi sensação no final do ano passado(como eu já contei aqui) e acabou retornando na temporada 2010. No repertório, temas de Superman, Indiana Jones, TubarãoHarry Potter, A Lista de Schindler, Star Wars e a grande surpresa da noite, Prenda-me se for Capaz.  Como explicou o maestro Roberto Minczuk, ao contrário da maioria das composições de John Williams que são inspiradas em compositores como Stravinsky, o tema de Prenda-me se for Capaz contém toques de Jazz. Para quem assistiu ao filme fica fácil imaginar o porquê.

A música do filme A Lista de Schindler, é, sem dúvida, a obra de John Williams que mais emociona o público e contou com o violinista Daniel Guedes como solista. Daniel Guedes também foi responsável por outro ponto alto da noite com Por una cabeza, de Carlos Gardel, música que não estava no programa mas que tem orquestração de John Williams. No Bis, o maestro volta-se para a platéia e pergunta se gostaríamos de pedir algum tema que tenha ficado de fora do repertório. O pedido pelo tema de E.T. foi quase uníssino.

Para Fernando Morais da Costa, professor do departamento de cinema e vídeo da Universidade Federal Fluminense, “as composições de John Williams constituiem-se num paradigma da música cinematográfica.” O maestro e compositor norte-americano é um dos mais prolíficos da atualidade, sendo mais frequentemente lembrado por sua parceria com Steven Spielberg e George Lucas (John Williams compôs a trilha de todos os filmes das séries Indiana Jones e Star Wars, por exemplo). Indicado ao Oscar por 45 vezes, foi vitorioso com Tubarão, Star Wars: Episódio IV, A Lista de Schindler e Um Violinista no Telhado. Portanto, a homenagem prestada por uma das maiores orquestras do país é mais do que merecida.

A série Fora de Série trará ainda outro grande evento: a apresentação do repertório presente no clássico Fantasia de Walt Disney. O concerto acontece dia 26 de junho e mais detalhes serão postados aqui em breve. Abaixo, você encontra alguns vídeos com trechos do concerto do ano passado na Sala Cecília Meireles.

Eventos nerds para os cariocas.

Com a proximidade do Dia da Toalha, ou Dia do Orgulho Nerd, comemorado no próximo dia 25 de maio, começam a surgir encontros e eventos para reunir os amigos e discutir como vamos dominar o mundo. Dificilmente você está acessando este blog sem saber o que esta data representa, mas caso você seja um viajante do tempo, eu explico. O Dia da Toalha é uma homenagem ao escritor Douglas Adams, autor da série O Guia do Mochileiro das Galáxias. Neste dia os fãs saem portando uma toalha, usada de diversas formas, em referência a um detalhe da saga. Também é lembrada nesta data a estréia do primeiro filme da série Star Wars em 1977 e, por isso, é também considerado o Dia do Orgulho Nerd. Dada a explicação, vamos à agenda.

 

Neste fim de semana, dias 21 a 23 de maio, a Orquestra Sinfônica Brasileira, volta a apresentar um dos concertos mais comentados do ano passado, o tributo a John Williams. O maestro e compositor faz parte do imaginário dos nerds com trilhas sonoras de filmes como Star Wars e Indiana Jones. No programa desse ano vamos ouvir temas de Jurassic Park, Harry Potter, A Lista de Schindler e Prenda-me se for capaz, além dos já citados Star Wars e Indiana Jones. O concerto do final do ano passado, que aconteceu na Sala Cecília Meireles, teve algumas surpresas que eu já contei aqui. Esse ano o evento acontece no Municipal e os detalhes você encontra no final do post.

 

Já no dia 25 de maio (terça-feira) acontece na Escola de Comunicação da UFRJ um evento em comemoração ao Dia do Orgulho Nerd, com palestras, debate e oficinas. Às 10h da manhã rola uma mesa-redonda com o tema “O jornalista do futuro é nerd” com a presença de jornalistas que ocupam funções que não existiam na imprensa até poucos anos atrás. Às 14h o debate será sobre “A metafísica em Lost, Matrix e Star Wars” com professores de filosofia e cibercultura. Haverá também uma oficina de mangá e sorteio de brindes. O evento é gratuito e aberto ao público em geral e  marca também o lançamento do blog Jornal dos Nerds, produzido pelos alunos do Jornal Laboratório da ECO.

 

E finalmente, no dia 29 de maio(sábado), vamos nos reunir para discutir o maior fenômeno da história recente da TV mundial no Encontro Pós-Final de Lost. O evento acontece na Livraria da Travessa do Barra Shopping e é realizado pelo pessoal do Dude We Are Lost e do Lost In Lost.  O debate será em torno da trajetória e a importância da série para a cultura pop, seus momentos marcantes e, é claro, a repercussão do  tão aguardado final. Haverá sorteio de brindes mas para concorrer é necessário se inscrever. Mais informações e o formulário para o sorteio estão lá no Dude.

É isso aí, nerds. Peguem sua toalha e vamos fazer a revolução.

 
Tributo a John Williams
Orquestra Sinfônica Brasileira. Regente, Roberto Minczuk.
Dias 21 e 22 de maio: 20 horas.
Dia 23 de maio: 11 horas.
R$18,00 (galeria), R$60,00 (balcão superior), R$130,00 (balcão nobre). R$2,00 (apenas no domingo. Sem lugar marcado. Venda 1 hora antes do espetáculo). Meia-entrada para estudantes e idosos.
Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Praça Floriano, Centro. Próx. Metrô Cinelândia.
Dia do Orgulho Nerd
Dia 25 de maio
10h às 17h
Salão Moniz Aragão. Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ
Avenida Pasteur, 250, Urca
Entrada franca
Encontro pós-final de Lost
Dia 29 de maio. 16 horas.
Livraria da Travessa. Barra Shopping.
Avenida das Américas, 466.
Entrada Franca

[Communication Breakdown] Porque os fãs de Lost não sairão satisfeitos?

Oh my god, she’s back again.

Sim, sim, sim salabim!  Para aqueles que sentiram saudades (e para os que não sentiram também) estou de volta no blog, após um longo e tenebroso inverno, e com uma coluna nova. Sabe como é, as vezes a pretensa imparcialidade jornalística presente inclusive na blogosfera, embora de maneira mais sutil, cansa um pouco. Nada como uma egotrip básica pra fazer a gente se sentir mais relevante do que realmente é.  Mas como eu sou uma garota nerd muito ixperta (afinal, sou carioca, brother) vou presenteá-los como uma boa desculpa para minha ausência e, ao mesmo tempo, um ótimo pretexto para começar esta coluna.

A idéia não é nova. Começou no meu primeiro blog, que tinha o mesmo nome dessa coluna (e de uma música do Led Zeppelin) e o objetivo principal era, basicamente, dar vazão ao furôr acadêmico que me pegou lá no quarto período da faculdade e não me largou mais. Hoje, dois anos depois, estou escrevendo minha monografia e correndo com o projeto para o mestrado que pretendo tentar no fim do ano. Moleza, né?! Por isso meu quarto tem livros pra todos os lados e eu passo os dias pensando em conceitos de teoria da comunicação. Logo, vou dar vazão aqui a tudo o que tem ocupado minha cabeça e não tem espaço nos meus papers. Estejam avisados e continuem a leitura por sua conta e risco.

Bem-vindos a cultura da convergência.

Palma, palma, não priemos cânico. Não vou ficar vomitando um monte de erudições aqui. Pelo contrário. O objetivo é mostrar que há muito mais cultura pop na academia hoje em dia do que os “trouxas” imaginam. Pra começar estou lendo o último livro de Henry Jenkins (pesquisador, ex-professor do Departamento de Estudos de Mídia do MIT, autor de livros sobre fãs e cultura pop e, por último mas não menos importante, trekker convicto – a.k.a este senhor simpático na foto ao lado). Em Cultura da Convergência Jenkins trata de algo extremamente presente nas nossas vidas: narrativas transmídia, ARGs, reality shows, celulares que servem para tudo inclusive fazer ligações.

Porque os fãs de Lost não sairão satisfeitos?

Um dos primeiros conceitos apresentados neste livro é o de comunidade de conhecimento, desenvolvido a partir da idéia de inteligência coletiva de Pierre Lévy. Se você é fã de Lost (ou qualquer outro objeto com as mesmas características transmídia e narrativas), daqueles que captura frames, desenha mapas, pesquisa bibliografia relacionada, tenta desvendar códigos e easter eggs ou simplesmente tenta contribuir com as discussões utilizando seu conhecimento, especializado ou não, tendo a legitmidade de um diploma ou não, sorria: você faz parte de uma comunidade de conhecimento.

No nosso caso (e eu, mesmo não participando tão ativamente quanto gostaria, me considero parte dessa comunidade de conhecimento) a dinâmica tem acontecido basicamente no ambiente online. A massificação da internet potencializou e muito a dinâmica entre os fãs e a série mas esse processo não é novo. O próprio Jenkins cita o caso Twin Peaks, série de TV norte-americana criada por David Lynch no início dos anos 90 e exibida (vejam só) pela rede ABC. Os mistérios e enigmas presentes na série (cujo mote principal era ”quem matou Lara Palmer”?) movimentimentaram fãs em todo o país e também fora dos Estados Unidos. Logo após a exibição do episódio piloto já começavam a surgir as primeiras comunidades online dedicadas à série. Segundo Jenkins:

Os fãs trabalhavam juntos para criar tabelas e gráficos com todos os acontecimentos da série ou compilações de trechos importantes de diálogos; compartilhavam o que conseguiam encontrar sobre a série em jornais locais; usavam a internet para localizar fitas de vídeo, caso perdessem episódios; investigavam a complexa grade de referências a outros filmes, séries de televisão, músicas, romances e outros textos populares, medindo forças e perspicácia com aquele que consideravam um autor trapaceiro, sempre tentando despistá-los.

Parece com alguma outra série que a gente conheça?

Quero chamar atenção aqui para o que eu acredito ser o aspecto principal das comunidades de conhecimento: o fato de se tratar, em certa medida, de uma competição. Por mais que os membros da comunidade trabalhem em equipe, existe uma frequente disputa dos fãs entre si (quem sabe mais sobre a série, quem possui mais conhecimento aplicável na solução dos enígmas, quem elabora as melhores teorias) e, principalmente, entre os fãs e o autor (David Lynch, no caso de Twin Peaks, Damon Lindelolf e Carlton Cuse, no caso de Lost). O que move a comunidade de conhecimento é a idéia de que existe alguem lá fora que possui um conhecimento que nos é negado, e por isso nós precisamos descobrir, mostrar que somos capazes de chegar às respostas “sozinhos”.

Apesar de fascinante, essa dinâmica tem alguns “probleminhas”. Pra começar, nós (fãs) não somos donos da série (por mais que a gente queira e por mais que a gente tenha certeza de que ela seria muito melhor se nós a escrevêssemos). Os produtores e os roteiristas são os donos da bola. Eles decidem quando, como e onde vamos jogar. Por sorte o jogo que eles nos têm proposto é divertido o suficiente pra nos mantêr nele por seis anos e com a corda toda. Daí surge um outro problema: e quando a coisa sai do controle – e ela quase sempre sai?

Para além do fato de Lost ter se tornado um divisor de águas da narrativa seriada, está mais do que claro que a série é agora maior do que qualquer um poderia prever. A mitologia da série se expandiu em nossas mentes, criamos métodos de análise e teorias complexas demais para qualquer um acompanhar e isso inclui os próprios autores. Por mais que eles tenham criado a trama e, certamente, tem respostas que nós não podemos ter, os fãs sempre estarão mil anos à frente. De volta a Twin Peaks:

A capacidade da comunidade de unir recursos coletivos trazia novas exigências para a série que nenhuma produção televisiva na época teria sido capaz de satisfazer. Para se manterem entretidos, começaram a criar teorias de conspiração e explicações mais interessantes, pois tinham muito mais profundidade do que qualquer coisa que pudesse ir ao ar. No fim, sentiram-se traídos, porque Lynch não conseguiu se manter um passo adiante deles. Esse deveria ter sido nosso primeiro sinal de que haveria uma tensão à frente entre produtores e consumidores de mídia.

Durante seis anos Lost movimentou nossas discussões e explodiu nossas cabeças. A menos de uma semana do fim da série os fãs se dividem entre os que confiam e os que não confiam em um final satisfatório, sendo que o segundo grupo é consideravelmente maior que o primeiro. Quanto a mim, estou preparando o espírito para a viagem que está chegando ao fim, tendo curtido cada segundo. Tenho certeza de que, por mais que alguns se decepcionem com o final, o que a meu ver é praticamente inevitável, com o tempo todos se darão conta de que participamos de um momento único na história do entretenimento audiovisual.

[Nerd no ventilador] É possível fazer bons investimentos em DVDs hoje em dia?

É sabido que o maior inimigo do nerd não é a puberdade, nem o valentão do colégio e muito menos a baleia do Twitter. O maior obstáculo que um nerd enfrentará ao longo de sua existência é a falta de dinheiro. Afinal de contas action figures, livros de RPG e placas de vídeo capazes de rodar seus jogos preferidos custam caro. A indústria não se cansa de inventar maneiras de nos seduzir e, cá entre nós, nós nerds somos bastante impressionáveis, carentes e fáceis de agradar, como a personagem daquela música do Chico Buarque. Qualquer edição de luxo, limitada, rara, encadernada com capa dura, pra colecionador faz nossos olhos brilharem. Porém, queridos nerds, precisamos tomar muito cuidado para que nossa boa fé não se confunda com ingenuidade. Em outras palavras: não vamos deixar ninguem nos fazer de otários!

Esse post é (mais um) desabafo de uma consumidora compulsiva que tem feito péssimos negócios. Houve um tempo em que eu confiava o número do meu cartão de crédito às lojas online e elas não me decepcionavam. A primeira a quebrar a corrente foi a Americanas.com. Imediatamente pensei: “Nunca mais compro nesta merda!” Mas quem disse que eu cumpri a promessa? Foi só anunciarem o box da primeira temporada de Dexter a (pasmem) R$12,90 e eu fui correndo comprar. Ao receber minha encomenda qual não foi minha surpresa ao verificar que o box era composto de 4 DVDs daqueles fininhos, aquelas capinhas que você compra a menos de um real na Uruguaiana. Ok, as distribuidoras estão em contenção de despesas tentando driblar a pirataria e o download. É, acho que posso viver com isso. Pelo menos foi barato dessa vez.

Mas a situação começou a me irritar ontem a noite. Fui buscar na Saraiva do Rio Sul o box da trilogia De Volta pro Futuro que havia encomendado. Adivinha. O tal box, edição de colecionador, era uma caixinha de DVD comum com três DVDs dentro. Pra completar eu chego em casa e meu box da primeira temporada de The Big Bang Theory havia chegado. Preciso dizer o que aconteceu?

Pô, esperei tanto tempo pra poder encher minha estante com aquelas caixas bonitas que impõe respeito e é isso que eu ganho? Além disso o preço absurdo de alguns destes “boxes para colecionador” induz a gente a pensar que vamos receber em casa, no mínimo, um item digno pra nossa coleção, quando a maioria deles não vale nem o preço da promoção (e se eu não comprasse só na promoção minha decepção seria infinitamente maior).

Como as distribuidoras pretendem combater a pirataria e o download oferecendo produtos de qualidade tão baixa a preços tão altos? A única maneira de vencer a crise neste setor é saber agradar o fã, o colecionador, o único cara que vai dar dinheiro pra esta indústria nos próximos anos. Quanto a mim, vou parar de comprar essas tranqueiras e guardar meu rico dinheirinho pra quando sair a edição mega luxo definitiva com todas as temporadas de Lost.

[Pílulas Pop] Novo portátil da Nintendo, Super-Homem batendo recordes e Sandman em promoção.

Do nada, no meio da madrugada a Nintendo saúda o mundo com uma bomba. Ela anuncia através de seu site japonês, em um PDF mequetrefe, seu novo portátil. O Nintendo 3DS. O portátil será capaz de reproduzir a tecnologia 3D sem óculos! Claro que não temos imagens nem mais informações, coisas que só veremos na E3 de 2010. O  PDF ainda diz que os jogos antigos de DS serão compatíveis, nada muito novo se pensarmos a política de retrocompatibilidade que a Nintendo vem adotando. Se os antigos rumores se concretizarem o 3DS terá gráficos comparáveis ao GameCube e duas telas maiores e com espaço menor entre elas. O PDF em inglês você encontra aqui.

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Uma edição rara e bem conservada da primeira aparição do Super-Homem foi vendida pelo valor-recorde de um milhão de dólares. Com isso o Homem de Aço entra para a história como a revista em quadrinhos mais cara de todos os tempos.

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Já os fãs das Graphic Novels não precisam pagar tanto. Especialmente os aficionados por Sandman que desejam completar a sua coleção. O Submarino está com dois números de Sandman em mega promoção. Você pode levar o volume 7 , Vidas Breves, e o volume 10, Despertar, que antes custavam R$69,90, por R$19,90!  Sim, eu já comprei. Para comprar também clique nas imagens abaixo. #corrão

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