Resenhas
Lost – O FIM
May 26th
Tristeza, alívio, satisfação, frustração, decepção, aceitação. Qualquer que tenha sido a sua reação ao derradeiro episódio da série uma coisa é certa: Lost não foi só uma série. Como minha área de interesse maior são os Estudos de Mídia minha tendencia é sempre enxergar Lost como um evento midiático. Isso pode ter me impedido de enxergar a mensagem maior que a série queria transmitir.
Eu não gostei do final. Minha reação quando acabou foi “Putz, que bosta!”. Mas, calma, isso tem uma explicação bastante lógica e é sobre isso que eu quero falar. Portando, não me odeie. Pela primeira vez eu vou pedir que continue lendo. Se você também não gostou do final talvez isso te ajude a entender o porquê.
Pra começar eu esperava que o último episódio explodisse a minha cabeça, mesmo que a razão e a experiencia com narrativas audiovisuais me dissesse que isso não iria acontecer. Era muito pouco provável que algo realmente surpreendente acontecesse tendo em vista o pouco tempo e as muitas histórias que precisavam de uma resolução. Mesmo assim eu esperava algo mais palpável, mais REAL, se é que vocês me entendem. Mas, como eu falei anteriormente, Lost não é só uma série.
Após assistir ao episódio vim para a internet ver as reações dos fãs. Pessoas que eu respeito e admiro como Eduardo Sales, Maurício Saldanha e Carlos Alexandre Monteiro, haviam se emocionado muito (alguns muito mesmo! hehehe) com o final. A primeira reação que eu tive foi “eu perdi alguma coisa?”. A resposta é SIM, eu perdi uma coisa muito importante, e não é de hoje.
Lost é uma lição de vida. Percebi isso através do olhar das pessoas que eu citei e muitas outras por aí. Só depois de ver como essas pessoas deram sentido àquele final com suas próprias experiências de vida é que a ficha caiu pra mim. Lost é uma série sobre pessoas, pessoas das quais eu me isolei boa parte da minha vida. Nenhum homem é uma ilha e, por mais óbvio que possa parecer, só agora eu realmente percebi isso. Jack já havia verbalizado esta idéia há temporadas atrás e toda a série, no fim das contas, foi sobre isso: Ou vivemos juntos, ou morremos sozinhos.
Ontem conversando com o Carlos Alexandre Monteiro ele me disse que “a grande pergunta é ‘porque estamos aqui?‘” e foi quando eu percebi o que realmente me incomodava. Não foi a “explicação” metafísica em si mas a idéia de que a vida é uma jornada com início, meio e fim e que um dia você vai perceber que pouca coisa realmente importa. Lost não é simplesmente uma série sobre pessoas, mas sobre pessoas solitárias, desorientadas, perdidas, que estavam se apegando às coisas erradas. Elas precisavam entender que a única coisa que realmente podiam ter era uns aos outros. É assim na vida.
- Porque você acha tão difícil acreditar, Jack?
- Por que você acha tão fácil?
- Nunca foi fácil!
Realmente não é fácil. Não está sendo fácil. Invejo todas as pessoas que conseguiram entrar junto com Jack e os outros naquela igreja, ou seja, todos vocês que conseguiram absorver o real sentido disso tudo. Vocês realmente são pessoas evoluídas. Quanto a mim, assim como o Ben, acho que vou ficar por aqui mais um pouco.
Mas uma coisa é certa: por mais que eu demore anos para absorver esse final, e mesmo que esse dia nunca chegue, a jornada valeu muito a pena. A melhor maneira que encontrei de resumir o que foram esses seis anos pra mim são as palavras de Fernando Sabino em O Encontro Marcado: “De tudo ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro.”
[Lost] What Kate does – “Mais do mesmo”.
Feb 11th
*Este artigo é um review do terceiro episódio da sexta e última temporada de Lost. Portanto contém spoilers. Continue lendo por sua conta e risco.
Não sei se foi por conta da season premiere de explodir cabeças ou pela ansiedade por respostas, mas esse episódio, ao meu ver, deixou muito a desejar. Ora, eu não criei essa ansiedade sozinha, foram os produtores que disseram que esta é a temporada das respostas – até porque, se não for essa a temporada das respostas qual vai ser, não é mesmo? – e com a quantidade de perguntas que ainda restam começo a me perguntar se vale a pena perder tempo questões menores como as desse episódio.
What Kate Does dá sequencia à situação de Sayid no templo e, ao que tudo indica, esclarecerá o que, afinal, é a tal infecção que acometeu os companheiros de expedição de Rousseau. Por falar nela, a francesa é citada algumas vezes durante o episódio mas ela está morta, certo? Parece que de certa forma o espírito dela sobrevive no corpo de… Claire?!
Em determinado momento do episódio descobrimos o que realmente fez Kate voltar para a ilha: ela foi procurar pela Claire. Aliás, durante boa parte dos 45 minutos de episódio descobrimos o que já estamos carecas de saber, que as duas tem uma ligação e seus destinos estão entrelaçados. Confesso que me segurei na cadera na cena em que, na realidade paralela, Claire começa a sentir as contrações. Jurava que Kate teria de fazer o parto dela de novo! Graças a Jacob isso não aconteceu (ainda!). Acho sinceramente que isso seria muito Lost For Dummies. Mas não vamos cantar vitória antes do tempo.
E, vem cá, quando será que a Kate vai parar de bancar a heroina romântica e, principalmente, parar de correr atrás do Sawyer? O cara não pode nem chorar a morte da esposa em paz! Por Jacob! Dêem logo um remedinho do “Sun Tsu” pra essa mulher! Aliás, porque o Dogen não deixou o chatonildo do Jack engolir o veneno? Enfim, deixando minha antipatia com Kate e Jack de lado, o ponto alto do episódio foi a reaparição de Ethan como médico que cuida de Claire no hospital. Ethan oferece a Claire a possibilidade de adiar um pouco o trabalho de parto através da administração de algumas drogas. Você já viu cena parecida em algum lugar? Lá pela segunda, terceira temporada talvez?
What Kate Does passou sem grandes emoções, questões ou respostas. Afinal, o que Kate faz nesse episódio é o mesmo que ela faz sempre: fugir, mentir e se esconder. Só nos resta esperar até semana que vem por The Substitute. Esse sim promete. Confira a promo do episódio abaixo:
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Pra continuar a discussão que tal um podcast novinho em folha sobre Lost? Acesse www.losties.com.br
[Lost] LA X – “Nada é irreversível.”
Feb 3rd
Os produtores haviam dito que não veríamos mais flashbacks e tampouco flash forwards. De fato o que vemos em LAX parece ser duas linhas temporais distintas. Na primeira Jack, Kate, Sawyer, Juliet, Hurley, Miles, Sayid e Jin saltaram no tempo até o presente da ilha, o mesmo presente em que ocorre o embate entre Jacob e seu inimigo (Esaú?) e o primeiro é assassinado por Ben. Na segunda linha temporal estão todos de volta ao vôo Oceanic 815. Vêmos um Jack confuso mas não temos certeza de que ele sabe o que está acontecendo. É uma emoção à parte rever personagens como Boone (sem Shannon, já que a atriz não teria aceitado retornar à série), a aeromoça Cindy, Claire e Charlieeee(!) – embora numa situação não muito confortável (Repararam que Dominic está com o cabelo raspadinho de seu personagem em Flash Forward?).
A sequência do desembarque no LAX foi particularmente emocionante. Quando percebi já estava com lágrimas nos olhos. Mais uma vez Michael Giaccino deu um show! Sua música deu o tom exato de todo o episódio. Tudo indica que, a partir de agora, acompanharemos essas duas linhas temporais e, mesmo tendo retornado sãos e salvos para Los Angeles, muita coisa aguarda pelos Losties. Afinal, o que terá sido feito com a Iniciativa Dharma nessa linha de tempo alternativa? E Ben? Widmore? E JACOB? E A ILHA? E uma coisinha que me deixou particularmente confusa: o que Desmond estava fazendo no vôo 815? So many questions…E vocês, o que acharam? Tem alguém com os miolos no teto aí? Comentem!






