Nerd no Ventilador

[Nerd no ventilador] É possível fazer bons investimentos em DVDs hoje em dia?

É sabido que o maior inimigo do nerd não é a puberdade, nem o valentão do colégio e muito menos a baleia do Twitter. O maior obstáculo que um nerd enfrentará ao longo de sua existência é a falta de dinheiro. Afinal de contas action figures, livros de RPG e placas de vídeo capazes de rodar seus jogos preferidos custam caro. A indústria não se cansa de inventar maneiras de nos seduzir e, cá entre nós, nós nerds somos bastante impressionáveis, carentes e fáceis de agradar, como a personagem daquela música do Chico Buarque. Qualquer edição de luxo, limitada, rara, encadernada com capa dura, pra colecionador faz nossos olhos brilharem. Porém, queridos nerds, precisamos tomar muito cuidado para que nossa boa fé não se confunda com ingenuidade. Em outras palavras: não vamos deixar ninguem nos fazer de otários!

Esse post é (mais um) desabafo de uma consumidora compulsiva que tem feito péssimos negócios. Houve um tempo em que eu confiava o número do meu cartão de crédito às lojas online e elas não me decepcionavam. A primeira a quebrar a corrente foi a Americanas.com. Imediatamente pensei: “Nunca mais compro nesta merda!” Mas quem disse que eu cumpri a promessa? Foi só anunciarem o box da primeira temporada de Dexter a (pasmem) R$12,90 e eu fui correndo comprar. Ao receber minha encomenda qual não foi minha surpresa ao verificar que o box era composto de 4 DVDs daqueles fininhos, aquelas capinhas que você compra a menos de um real na Uruguaiana. Ok, as distribuidoras estão em contenção de despesas tentando driblar a pirataria e o download. É, acho que posso viver com isso. Pelo menos foi barato dessa vez.

Mas a situação começou a me irritar ontem a noite. Fui buscar na Saraiva do Rio Sul o box da trilogia De Volta pro Futuro que havia encomendado. Adivinha. O tal box, edição de colecionador, era uma caixinha de DVD comum com três DVDs dentro. Pra completar eu chego em casa e meu box da primeira temporada de The Big Bang Theory havia chegado. Preciso dizer o que aconteceu?

Pô, esperei tanto tempo pra poder encher minha estante com aquelas caixas bonitas que impõe respeito e é isso que eu ganho? Além disso o preço absurdo de alguns destes “boxes para colecionador” induz a gente a pensar que vamos receber em casa, no mínimo, um item digno pra nossa coleção, quando a maioria deles não vale nem o preço da promoção (e se eu não comprasse só na promoção minha decepção seria infinitamente maior).

Como as distribuidoras pretendem combater a pirataria e o download oferecendo produtos de qualidade tão baixa a preços tão altos? A única maneira de vencer a crise neste setor é saber agradar o fã, o colecionador, o único cara que vai dar dinheiro pra esta indústria nos próximos anos. Quanto a mim, vou parar de comprar essas tranqueiras e guardar meu rico dinheirinho pra quando sair a edição mega luxo definitiva com todas as temporadas de Lost.




[Nerd no ventilador] Os novos velhos canais da TV a cabo brasileira.

A TV fechada brasileira está passando por algumas mudanças, a introdução da alta definição e o aumento do número de programadoras movimentam o mercado. Desde o início de fevereiro, os assinantes das maiores TVs por assinatura do país receberam dois novos canais: o VH1 Mega Hits e o Studio Universal. Contudo, o que parecem ser canais novos não passam de resultados de acordos comerciais. Agora, quase um mês após o lançamento, já podemos ver o que eles realmente são e se cumprem aquilo a que se propõem.

A Viacom, detentora da marca MTV nos EUA entrou em acordo com o Grupo Abril para que esta fosse a única exploradora da marca no país. Com isso, o MTV Hits da Viacom teve seu nome trocado. O VH1 Mega Hits substituiu o canal anterior, porém não mudou sua programação, composta de 24h de videoclipes. Diferente do MTV Hits que utilizava playlists, o VH1MH tem dois blocos: o Moods, temático, e o InMotion.

O Studio Universal surgiu da venda do Hallmark Channel lá fora. O canal tem sua programação composta por filmes e séries dublados durante o dia e legendados no horário nobre. Segue o filão do TNT, Megapix e Space ao trazer um entretenimento mais popular e de fácil acesso com a dublagem.

Os “novos” canais estão aí. Nesse tempo em que há diminuição de investimento em programação SD, em detrimento de conteúdo HD, eles acabam soando como um refresco na programação engendrada da TV por assinatura brasileira. O problema aqui é que esses canais são dados como novos, porém são apenas substituições, ao invés de investimentos em novos canais que aumentem a programação, fazendo ficar escassa o line-up das TVs por assinatura.

.

.

Esta coluna é uma colaboração de Leonardo Nunes, o @lelesk.